segunda-feira, 18 de maio de 2009

Bebê é achado dentro de sacola na Grande SP

agencias ESTADO em 14 Mai, 08h22
Um recém-nascido foi encontrado abandonado em uma sacola na noite de ontem em uma viela no Jardim Itapark, em Mauá, na Grande São Paulo. O menino, que mede cerca de 50 centímetros e pesa 3,4 quilos, foi achado por um policial militar de folga que chegava em casa. A família do policial deu banho, amamentou e cuidou da criança até a chegada da Polícia Militar, que levou o bebê até o Hospital Nardini. Segundo a equipe médica, a criança está bem e não corre nenhum perigo.
O cabo da PM do 30º Batalhão Haroldo Balbino Vasconcelos, de 46 anos, contou que chegava em casa de carro por volta das 20h30 quando viu uma sacola branca de papelão, de uma marca de grife, largada na viela ao lado da sua residência. Ele chamou a sua mulher, a manicure Maria Pereira da Cruz Vasconcelos, de 41 anos. Os dois foram olhar o que havia na sacola, forrada com um xale branco, e encontraram o bebê, que usava uma camiseta de manga comprida e uma calça brancas, meia rosa e uma fralda descartável.
A criança estava suja e com a boca roxa de frio. O casal levou-a para casa, deu banho e roupas limpas e acionou a PM. Uma filha do policial, de 18 anos e mãe de um menino de apenas 2 meses, amamentou o bebê abandonado. "Estou bem agradecido por ter achado essa criança", disse o PM. "Daqui para a frente ela pode ter um futuro decente", avaliou.
Além das duas filhas biológicas, de 17 e 18 anos, o policial e a mulher têm um menino que foi adotado ainda bebê e hoje tem 2 anos e meio. Questionado se adotaria a criança abandonada ao lado da sua casa, Vasconcelos respondeu: "Se eu não tivesse essa minha, eu adotava". A mulher do policial escolheu um nome para a criança. "Sempre gostei de três nomes: Mateus, Rodrigo e Eduardo. O Mateus é o meu filho, daí escolhi agora Eduardo", explicou Maria.
Mas, no hospital Nardini, o garoto ganhou mais um nome e está sendo chamado de Vitor Eduardo. Uma enfermeira tinha resolvido chamá-lo de Vitório, mas um consenso entre a equipe que participou do socorro do bebê resolveu mudar o nome para Vitor. De acordo com a pediatra Laysa Lira, a criança - quem tem entre 7 e 10 dias - apresenta um bom estado geral de saúde, sem lesões ou fraturas.
"Pedi que ele ficasse em observação por pelo menos 24 horas e daí amanhã (hoje) o Conselho Tutelar provavelmente recolhe", explicou a médica. Depois de recolhido, o bebê deve ser encaminhado a um abrigo para adoção. O caso foi registrado como abandono de incapaz no 1º Distrito Policial de Mauá. Durante a madrugada, a PM de Mauá recebeu uma ligação de uma mulher que se identificava como mãe do bebê abandonado e afirmava que se apresentaria na delegacia, mas até o final da madrugada ela não compareceu ao Distrito Policial.

domingo, 10 de maio de 2009

Exigência de candidatos à adoção de crianças trava processo

por Vanessa Fajardo Do Diário do Grande ABC

Por meio do Cadastro Nacional da Adoção criado há um ano pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) com a promessa de agilizar o processo, 23 adoções foram consolidadas e há 35 casos em andamento em todo o País. Mais do que um aliado, o cadastro veio para desmistificar um estigma: o maior vilão da adoção não é a burocracia.
Dados do CNJ mostram que em todo o Brasil há 14.843 pretendentes cadastrados esperando por filhos adotivos, só em São Paulo estão 5.558. A maioria quer meninas brancas, sem defeitos físicos ou psicológicos, com no máximo três anos de idade.
Na contramão da fila estão 2.360 crianças e adolescentes aptos, judicialmente, a receberem novos lares. Em São Paulo são 1.048, segundo o CNJ. Grande parte está fora do perfil exigido pelos candidatos à adoção e mesmo com o poder familiar destituído, ou seja, sem chances legais de voltar ao convívio com a família biológica, passam a infância inteira dentro dos abrigos.
Na região, levantamento feito pelo Diário junto às prefeituras (com exceção de Mauá que não retornou ao pedido de informações) apontou que há pelo menos 590 crianças e adolescentes abrigados, mas a maioria não está disponível à adoção. No Lar Escola Pequeno Leão, em São Bernardo, onde atualmente há 58 crianças e adolescentes, o tempo médio de acolhimento é de cinco anos.
"Não temos crianças nas prateleiras, as que temos são frutos do abandono da nossa sociedade com perfil que não é o desejado pelas famílias. É preciso compreender que na adoção o que se busca é uma família para uma criança e não uma criança para suprir a necessidade de uma família", diz Andréa Pachá, presidente do comitê gestor do Cadastro Nacional de Adoção.
Uma das formas de mudar esta lógica é trabalhar na conscientização da adoção tardia. Caso da delegada de polícia de São Bernardo, Kátia Regina Cristófaro Martins, 47, que adotou Eduardo, o Dudu, 8, depois de vê-lo num abrigo de São Bernardo, local em que viveu desde os oito meses. "Bati o olho e foi paixão à primeira vista, não conseguimos desviar o olhar. Disse: é ele."
Kátia já tinha dois filhos biológicos, César, 14, e Caio, 10, quando decidiu engravidar novamente. Fez um tratamento de fertilidade, mas não funcionou, e resolveu partir para a adoção. Descartou a hipótese de adotar um bebê por causa da rotina de trabalho.
A adoção foi homologada no dia 2 de julho do ano passado, cinco meses após o processo ser iniciado. Para comemorar a família voltou ao abrigo para um churrasco. "O Dudu foi o maior presente que ganhei e ouvi-lo me chamar de mãe foi emocionante, assim como com os outros filhos."
Para comprovar que Kátia e o marido, o escrivão de polícia, Victor Wangler Martins, 29, aprovaram a experiência, ela adianta que pretende adotar outra criança. "Não engorda, não há dor, o bico do peito não fica rachado, e o amor é o mesmo", brinca.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Adoção de crianças e adolescentes no Brasil - cartilha passo a passo

Vejam no site http://www.direitosdacrianca.org.br/midia/publicacoes/passo-a-passo-para-a-adocao a cartilha editada pela Associação de Magistrados do Brasil (AMB), como parte da campanha "Mude um destino", esclarece sobre os procedimentos para adoção, além de trabalhar questões mais controversas, como o direito da criança ou adolescente conhecer suas origens.

sábado, 2 de maio de 2009

Pesquisas apontam que as dificuldades de adaptação a um novo cenário podem influenciar a produção hormonal das crianças

Adoção internacional x puberdade precoce nas crianças,

texto de Aline Ridolfi para a revista CRESCER

Enquanto a adoção internacional parece estar na moda entre celebridades, estudos mostram que crianças adotadas vindas de países estrangeiros correm o risco de desenvolverem-se antes do tempo. Meninas ganham seios e pêlos pubianos. Meninos, além dos pêlos, têm aumento dos testículos. Mas afinal, por que o corpo reage de tal forma nestes casos? Quando a maturação sexual de uma menina ocorre antes dos 8 anos, e do menino antes dos 9, está diagnosticado um caso de puberdade precoce.
Em crianças não adotadas a condição é desencadeada por problemas hormonais, mas especialistas acreditam que o estresse e a adaptação ao novo país e à nova família, em casos de adoção internacional, possam também afetar o desenvolvimento da criança. Apesar de não ser considerada uma doença propriamente dita, a puberdade precoce pede um tratamento especial. O crescimento é afetado e a idade física fica em desacordo com a mental. Um estudo dinamarquês aponta que em adoções internacionais a probabilidade da criança adotada desenvolver-se antes do tempo é de 10 a 20 vezes maior do que em nativos. Se pensarmos ainda em diferenciação de sexo, a proporção é ainda mais desigual.
As meninas parecem sofrer mais com a disfunção, apresentando os sintomas até 5 vezes mais que os meninos. Um dos condutores de pesquisas americanas sobre os efeitos da adoção internacional, Patrick Mason, especialista em pediatria e endocrinologia, explica à CRESCER que um dos maiores problemas enfrentados pela puberdade precoce em crianças internacionalmente adotadas são as conseqüências psicológicas. Um exemplo típico está na atividade escolar. “Normalmente, por conta da adaptação, elas acabam estudando em classes com colegas de idade inferior à delas. Quando se desenvolvem fisicamente antes do tempo, a diferença nessa faixa etária parece ainda maior. Os efeitos psicológicos dessa situação são devastadores, afinal elas não sentem que podem se enquadrar à nova realidade”, afirma. Pela falta de conhecimento sobre as causas da maturação sexual antecipada, não há como preveni-la.
A pediatra Adriana Siviero Miachon, secretária do Departamento Científico de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo, alerta: “Essa antecipação do desenvolvimento tem sido geral nos últimos tempos, não só em crianças adotadas. É uma situação muito difícil, pois se trata de uma constatação – ninguém sabe, na verdade, quais são suas verdadeiras causas, a não ser que haja tumores e outras anomalias. Fatores ambientais influenciam muito”. As divergências são muitas. Alguns especialistas chegam a defender que a convivência com cenas de sexualidade na TV, por exemplo, estimula a produção de hormônios, mas não há um consenso. Apesar de não poder evitar, há tratamento para a puberdade precoce. “O tratamento também é uma questão muito delicada. Em casos extremos receitamos medicações que atrasem a puberdade, mas tudo varia de acordo com o caso”, encerra Adriana.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

China interrompe a entrega de crianças adotadas por causa da epidemia de gripe

por José Reinoso em Pequim, publicado no jornal EL PAIS e republicado pela Folha on line.


O governo chinês deu instruções às agências de adoção internacionais para que aconselhem os pais que adiem as viagens para buscar as crianças já atribuídas, com o objetivo de evitar possíveis problemas derivados da gripe suína.
"Atualmente há casos de infecção humana da gripe suína detectados em alguns países e regiões. Devido ao alto caráter infeccioso dessa doença, as crianças são suscetíveis a ela devido a sua baixa capacidade de resistência. Com o objetivo de evitar infecções cruzadas durante o processo de registro de adoção e proteger a saúde das crianças nos orfanatos, assim como a dos pais, pede-se às agências que aconselhem os pais adotivos que receberam a notificação de vinda à China para a adoção que adiem a viagem", indica o anúncio feito pelo Centro de Assuntos de Adoção da China (CAAC) datado de 30 de abril.
Segundo o órgão, o período de validade da viagem para as notificações emitidas entre 1º de março e 30 de abril deste ano foi prolongado em três a cinco meses, mas não é necessário atualizar os papéis.
As instruções do governo não falam em proibição, embora na prática possam representar uma paralisação temporária, à espera de ver como evolui a epidemia nos próximos meses. A medida foi recebida com nervosismo por algumas famílias espanholas, que afirmam ter recebido instruções de não se deslocar, por enquanto, à China.
Zelosa de sua imagem no exterior, com um número cada vez maior de famílias locais desejosas de adotar e com menos crianças abandonadas, segundo algumas fontes, a China endureceu nos últimos anos os requisitos para as adoções internacionais, o que fez diminuir drasticamente seu número.
Em maio de 2007 entrou em vigor uma nova norma destinada a limitar os pedidos, que excluem da possibilidade de adotar os solteiros, e exige-se, entre outros, que os requerentes estejam casados, tenham menos de 50 anos, disponham de uma situação econômica folgada, não sejam obesos e não tenham tomado antidepressivos nos dois últimos anos.
A notificação do CAAC aconselha aos pais que durante sua estada no país asiático sintam problemas de saúde que procurem ajuda médica. "Deverão ir prontamente ao hospital para uma verificação e informar o CAAC sobre a situação", indica.