quinta-feira, 29 de maio de 2008

Adoção de crianças e adolescentes é tema de encontro

publicado no JConLINE em 29/05/2008 10h37

A adoção de crianças e adolescentes é o tema do XIII Encontro Nacional de Apoio à Adoção (Enapa) que acontece entre esta quinta (29) e o próximo sábado (31), no Mar Hotel, Zona Sul do Recife. O encontro ocorre paralelamente ao momento em que está sendo implantado nos juizados brasileiros o Cadastro Nacional Único e a votação na Câmara Federal da nova Lei Nacional de Adoção.
O evento, que contará com participantes e palestrantes de todo o Brasil, tem como objetivo estimular uma nova cultura da adoção, privilegiando os interesses dos menores, além de estimular as adoções necessárias (de crianças maiores, multirraciais, de grupos de irmãos, de crianças com necessidades especiais e soropositivas). Estão programadas conferências, mesas-redondas, oficinas, grupos de trabalhos, depoimentos de famílias adotivas, apresentação de trabalhos científicos e painéis.
As crianças e adolescentes, adotivos ou não, também terão espaço dentro da programação, pois durante todo o sábado (31) ocorre o Enapinha, encontro voltado para esse público que tem como um dos objetivos repensar o papel do filho adotivo na família e na sociedade. Já nos intervalos do Enapa haverá apresentações de maracatus, repentistas, xaxado, ciranda, Orquestra Criança Cidadã, Balé Popular do Recife e recital com o poeta Jessier Quirino.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Defensor público ressalta importância da 'família afetiva'

publicadono portal da camara dos deputados em 26/05/2008 20h19
O defensor público do Núcleo de Assistência Jurídica da Infância e da Juventude do Distrito Federal Sérgio Domingos enfatizou, na palestra desta segunda-feira da Comissão de Educação e Cultura, que a divisão entre criança e adolescente, da forma como é feita no Brasil, serve apenas para penalizar a infância.
Ele ressaltou que o conceito de "criança" é o de um ser humano em formação e, portanto, as convenções internacionais não fazem distinção entre as crianças menores de 12 anos e aquelas que têm entre 12 e 18 anos.
Ele defendeu que todas as políticas públicas para a infância sejam tratadas de forma prioritária, para assegurar às crianças uma família "afetiva", não apenas biológica. "Se pudermos conciliar a família biológica com a afetiva, melhor", afirmou. Ele defendeu as políticas de reestruturação das famílias em situação de risco socioeconômico, especialmente aquelas em que há afeto entre pais e filhos, apesar das dificuldades econômicas.
Em relação à guarda, em abrigos, de crianças agredidas pelos pais ou por outros integrantes da família, Sérgio Domingos criticou a retirada da criança do lar enquanto o agressor permanece solto, freqüentando a casa. Segundo ele, isso significa penalizar a vítima da agressão, e não o criminoso. Ao mesmo tempo, o defensor ressaltou a importância da opinião da própria criança sobre a sua situação, especialmente em relação à família afetiva. "Não é o casal que adota a criança, mas a criança que adota o casal", enfatizou.
Licença-maternidade
Sérgio Domingos destacou a necessidade de igualar as licenças maternidade e paternidade, especialmente no caso de adoção. Todos os palestrantes defenderam a igualdade entre as licenças concedidas para mães biológicas ou afetivas. Alguns chegaram a reivindicar mais tempo para as mães que adotam crianças maiores de idade, pois o tempo de adaptação à família seria maior.
Para a coordenadora do Núcleo de Assistência Jurídica da Infância e da Juventude da Defensoria Pública do Distrito Federal, Esther Dias Cruvinel, é preciso que também os homens, especialmente nos casos em que adotam sozinhos uma criança, tenham direito à licença do trabalho. Para Sérgio Domingos, esse tipo de ação revelaria um olhar sobre a criança como portadora de direitos, e não mais como objeto do poder paterno.
A presidente do Projeto Aconchego, Soraya Kátia Pereira, falou sobre os projetos que a organização não-governamental desenvolve, como o Apadrinhamento Afetivo (www.projetoaconchego.org.br).
Reportagem - Cristiane Bernardes
Edição - João Pitella Junior

14 de junho, proxima reunião do ACOLHER

Sábado, dia 14 de junho, teremos mais uma reunião mensal do Projeto ACOLHER.

Esperamos você lá!

DATA: 14 de junho
HORARIO: para quem vem pela primeira vez - 15:30, para os demais, 16hs
LOCAL: EMEI Francisco Manoel da Silva
ENDEREÇO: Praça Professor Helio Gomes 64, Jardim Campo Grande - na região do Shopping Interlagos
INDICAÇÃO: Pegar a Avenida Nossa Senhora do Sabará até o número 2426, entrar a direita na Rua Norma, contornar a rotatoria pela esquerda e contornar também pela esquerda o muro da escola.
INFORMAÇÕES: 5103.2841 e 9766.3091
EMAIL: projetoacolher@terra.com.br

Se possível leve algo para contribuir com o nosso lanche.

Should Race Be a Factor in Adoptions?

TIME magazine, writen By Jeninne Lee-St. John Tuesday, May. 27, 2008


Dorothy Beck, center, braids the hair of her son Isaiah, 7, while her two-year-old twins Joshua, left, and Serena look on at their home in Sicklerville.


ADOPTION IN BLACK AND WHITE
The Evan B. Donaldson Adoption Institute, a non-profit that studies and provides education on adoption, examined national statistics and studies on transracial adoptions — those in which adoptive parents and adopted children are of different races — in the U.S. over the past two decades. In its report, "Finding Families for African American Children," the institute argues that race should be a factor in adoption placement, and that agencies should be allowed to screen non-black families who want to adopt black children — for their ability to teach self-esteem and defense against racism, and for their level of interaction with other black people. The authors' recommendations reflect the findings that transracial adoptees report struggling to fit in with their peers, their communities and even with their own families. The study also says that minority children adopted by white parents are likely to express a desire to be white, and black transracial adoptees have higher rates of behavioral problems than Asian or Native American children adopted transracially; they also exhibit more problems than biracial or white adoptees, or the biological children of adoptive parents.
The problem may be traced, at least in part, to the 1996 Multiethnic Placement Act—Interethnic Adoption Provision (MEPA—IEP), which Congress passed in response to headlines about white parents who wanted to adopt black children but were thwarted by race-matching policies. The legislation, which prohibited any adoption agency receiving federal funds from factoring race into decisions on foster care and adoption, was meant to widen the pool of prospective permanent homes for black children. Instead, according to the Donaldson Institute and supporters of its study, the law had a chilling effect on agencies that might want to facilitate transracial adoptions, prohibiting them from preparing white parents for race-specific challenges they might face raising black children. That's because, under MEPA-IEP, agencies may not create race-based programs; any classes or tools must be given to all parents equally, regardless of ethnicity.
That lack of support for transracial adoptive parents doesn't help their children, the study suggests, calling on governmental social service agencies to work with minority- and faith-based organizations, and to provide adoptive families with follow-up support specifically tailored to their situation. "We don't know [exactly] what families will experience once they've adopted a child," says Toni Oliver, a representative for the National Association of Black Social Workers and founder of Roots, an adoption agency in Atlanta. "But there's no way at this point for the family to even come back to the agency and get support after the fact." Even the Jolie-Pitts of the world could use some help, says Oliver, describing one white couple who have adopted both internationally and transracially: "The dad said to me, 'We really thought we had this intercultural thing down. But we didn't understand what race meant until we adopted our black children. That's when we got the stares.'"
Overall, the new study found, regardless of the race of their adoptive parents, black adopted children were no different from other kids in levels of self-esteem. But, the authors write, "black children had a greater sense of racial pride when their parents acknowledged racial identity, moved to integrated neighborhoods, and provided African American role models. Black children whose white parents minimized the importance of racial identity were reluctant to identify themselves racially." But is it necessarily catastrophic to eschew a strong racial identity? Not everybody thinks so. "All adopted children face challenges with being adopted," says R. Richard Banks, a Stanford Law professor and author of The Color of Desire: Fulfilling Adoptive Parents' Racial Preferences through Discriminatory State Action. "To some people, saying we want children to develop a positive identity means a positive racial identity. But it could be a good thing not to have a strong racial identity. The difference is a reflection of our beliefs about what black people should be and what white people should be."
Banks likens the debate over transracial adoption to the question of whether same-sex couples can be suitable parents. "It is true that [the children of gay couples are] more likely to experiment sexually when they're older, and they're less likely to be he-men or girly girls. But you could argue that that's a good thing to not have such starkly defined gender differences. It's a question of what counts as a good sexual identity." Treating parents differently because they want to adopt across racial lines would suggest "there's something abnormal about transracial adoption," says Banks, adding, "mostly these issues reflect our own anxieties about seeing mixed-race families."
Indeed, such anxiety is reflected in the national statistics. Since MEPA-IEP was passed in the mid-1990s, the proportion of transracial adoptions has risen only modestly — from 17.2% in 1996 to 20.1% in 2003. Meanwhile, the government has not compelled agencies to recruit foster and adoptive parents who reflect the ethnic make-up of children in the system, even though the law says they must, so racial disparities have persisted within the family services system. Black children are adopted less frequently and more slowly than kids of any other race. Fifteen percent of U.S. children are black, but they account for nearly a third of children in foster care and a third of those awaiting adoption. White children are five times as likely as to be adopted than children from any minority group, and are adopted out of foster care an average of nine months sooner than black children.
Still, says Adam Pertman, executive director of the Donaldson Institute, we're doing a disservice to children if we try to ignore those racially based anxieties. "We just want to assess whether people are ready to parent a child who's going to face racism," he says. "Helping kids feel comfortable in their own skin leads to better outcomes." That can certainly be accomplished by finding the best parents for the children who need them regardless of race, but also by supporting adoptive families with consideration for their ethnic make-up. Says Pertman: "Nobody's saying black kids shouldn't have white parents, but does anybody really think we live in a fully color-blind society? It's a nice ideal but it's not reality."

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Deputado quer ampliar debate sobre adoção de crianças

publicado no portal da camara dos deputados em - 26/05/2008 20h20

Durante as palestras em comemoração ao Dia Nacional da Adoção (25 de maio) promovidas nesta segunda-feira pela Comissão de Educação e Cultura, o deputado João Matos (PMDB-SC) lembrou que o objetivo da data é chamar a atenção para o tema e ampliar a discussão sobre o processo.
Ele foi autor do projeto que instituiu a data. Segundo o parlamentar, várias ações relativas ao assunto já foram realizadas depois da aprovação da data em 2002, inclusive campanhas publicitárias e a abordagem do tema em telenovelas. Os participantes do evento concordaram com o deputado sobre a importância do esclarecimento das famílias que adotam filhos para evitar desistências durante o processo.
Os palestrantes também ressaltaram a importância do Cadastro Nacional de Adotantes e Adotandos. O deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE) defendeu a necessidade de arquivar e analisar estatisticamente os dados sobre adoção no País, para que as posições pessoais possam ser defendidas com base na realidade social.
Motivos financeiros
A coordenadora do Núcleo de Assistência Jurídica da Infância e da Juventude da Defensoria Pública do Distrito Federal, Esther Dias Cruvinel, defendeu a adoção direta, modalidade em que a mãe biológica escolhe a família que adotará a criança. Segundo a coordenadora, a escolha da mãe deve ser respeitada, pois indica que ela teve o cuidado de não abandonar o filho na rua ou dá-lo para qualquer um.
Porém, de acordo com a juíza Cristiana de Faria Cordeiro, da 2ª Vara Regional da Infância, da Juventude e do Idoso do Rio de Janeiro, é difícil para o juiz ou para o Ministério Público analisar essa modalidade e verificar se não houve a entrega da criança apenas por motivos financeiros, o que é crime. Nem sempre, segundo ela, a família escolhida pela mãe biológica é a melhor.
A coordenadora da Autoridade Central Administrativa Federal na Secretaria Especial dos Direitos Humanos do Paraná, Patrícia Lamego, informou que, no caso da adoção internacional, não é permitido qualquer contato prévio entre adotantes e adotados.
Isso ocorre exatamente porque os governos dos diferentes países não têm como saber se houve recompensa financeira como estímulo à concordância dos pais biológicos ou de responsáveis pela adoção.
Direitos
Segundo a juíza Cristiana Cordeiro, "a Constituição de 1988 definiu crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, não mais apenas objetos da vontade dos adultos". Isso, de acordo com ela, implica dar prioridade ao interesse da criança, e não das famílias que adotam, com a realização de um processo judicial. "A adoção não é a solução para o desemprego, não é paliativo para a falta de investimentos na família de origem ou para a exploração do trabalho infantil e para o abuso sexual de crianças", ressaltou.
Ela questionou ainda as formas de tratamento das famílias para que não percam o poder pátrio sobre seus filhos, e a falta de um prazo legal para que crianças e adolescentes recebam abrigo. Humanização Segundo o presidente da Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção (ANGAAD), Sávio Bitencourt, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei 8.069/90) tem lacunas que precisam ser sanadas, "pois as crianças abrigadas têm menos garantias legais que os homicidas".
Eles ressaltou que 46% das crianças nos abrigos não têm sequer acompanhamento judicial ou do Ministério Público. Bitencourt afirmou que os grupos auxiliam as pessoas a adotarem com mais segurança, pois promovem o esclarecimento e a reflexão sobre o processo. Segundo ele, o objetivo do Projeto de Lei 6222/05 [sobre regras para adoção internacional], que tramita na Câmara, não é tirar crianças de famílias pobres para dar aos ricos ou para casais que não podem ter filhos, e sim uniformizar os procedimentos em todo o País, humanizando o processo de adoção.
De acordo com Bitencourt, a existência de um projeto sobre o assunto tem de ser comemorada, pois melhora a discussão sobre o tema e amplia o perfil das famílias que adotam. Ele informou ainda que há mais de 100 mil crianças em condição de serem adotadas no País.

domingo, 25 de maio de 2008

Vínculo com família de origem pode impedir adoção

A coordenadora da Autoridade Central Administrativa Federal na Secretaria Especial dos Direitos Humanos do Paraná, Patrícia Lamego, destacou na palestra da Comissão de Educação e Cultura que muitas das crianças que vivem em abrigos no Brasil não estão disponíveis para adoção, pois ainda têm vínculos com suas famílias de origem.
Ela informou que a adoção internacional é o último recurso para colocar a criança em uma família. Antes disso, o Poder Público tenta recolocar a criança em seu lar de origem e, quando isso não é possível, são buscadas famílias dentro do próprio País. Ela ressaltou que o número de crianças adotadas por estrangeiros é pequeno, pois não é prioridade do governo encaminhar crianças para a adoção internacional.
De acordo com Patrícia Lamego, a maioria dos estrangeiros que busca crianças no País é da Itália, Espanha, França e Estados Unidos. Ela disse não haver informação sobre o envio de crianças brasileiras para países que não são signatários da Convenção de Haia [na parte sobre a cooperação em matéria de adoção internacional].
Segundo ela, as crianças adotadas por famílias estrangeiras são, em sua maioria, maiores de cinco anos, compõem grupos de irmãos ou têm problemas de saúde.
Reportagem - Cristiane Bernardes
Edição - João Pitella Junior

sexta-feira, 23 de maio de 2008

FAZENDO o BEM... e apoiando o ACOLHER

No mês de maio a Clinica Fernando Bezerra comemora mais um aniversário de trabalho e sucesso e resolveram comemorar a data retribuindo um pouco do que recebem, proporcionado um dia especial ás pessoas, homens e mulheres, que querem cuidar de sua beleza e bem estar, e também apoiando o PROJETO ACOLHER.
Dia 30 de maio – sexta feira
Das 14 ás 19 horas
Clinica Fernando Bezerra
Dermatologia, Saúde & Bem Estar
Alameda dos Guaramomis 1027
moema – tel. 5052.6774 ou 3562.6774
Neste dia 30 de maio promoverão o Dia de Fazer o Bem, onde toda a equipe da Clinica vai montar um programa especial de atividades, para que as pessoas possam conhecer nossas atividades e também ajudar outras pessoas.
Neste dia, neste evento, nada será cobrado das pessoas, será um evento gratuito, ou melhor, um evento para que você também possa Fazer o Bem, pois vão pedir para que cada um contribua com o valor que achar justo em função do trabalho feito, para apoiar o trabalho do PROJETO ACOLHER.
Então, anote o dia em sua agenda e escolha as atividades que estarão á sua disposição, ligue e agende seus horários:
PILATES : Dentro da Clinica FB funciona o STUDIO D´LIFE de PILATES, você poderá marcar uma sessão prática de demonstração, experimentando os aparelhos, sentindo o benefícios do PILATES, descobrindo porque a Madonna e outras celebridades são praticantes e divulgadores. (sessão de 30 minutos)
ESTÉTICA FACIAL : Maria de Lourdes Colucci tem mais de 30 anos de experiência nos cuidados com o Rosto, uma rápida hidratação, utilizando produtos dermocosméticos com princípios ativos de primeira linha, vai lhe mostrar o potencial de beleza que você ainda tem escondido.
ESTÉTICA CORPORAL : Conheça o trabalho de Edila Soares, responsável pela área de estética corporal de nosso clinica, além de uma sessão especial de massagem ou drenagem, ela vai lhe dar importantes dicas se você quer cuidar de gordura localizada, celulite ou flacidez. Experimente o Manthus, um ultrassom de ultima geração!
MASSOTERAPIA : Carlos Gallucci, coordenador da Massoterapia Elite, vai lhe proporcionar um momento de relaxamento com as técnicas da TOTAL MASSAGE, alinhar seus meridianos, cuidar de sua postura, podem ser a oportunidade de recarregar as baterias que você estava procurando.
Além disto ainda terão outras atividades, demonstração de roupas com tecidos de proteção solar, um gostoso chá e um café, e a oportunidade de conversar e fazer novos amigos.
Espero que você possa aproveitar este dia especial e contribuir para o ACOLHER, isto muito vai nos alegrar e, com certeza, você vai passar uma tarde agradável.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Polícia encontra irmãs que fugiram de abrigo com medo da adoção

publicado no GLOBO ON LINE em 21/05/2008 - 15h08

Meninas de 8 e 10 anos foram encontradas na casa de uma irmã, em Cascavel. Elas foram separadas da família há três anos, por maus-tratos.
A polícia de Cascavel (PR) localizou na noite de terça-feira (20) duas irmãs que fugiram de um abrigo com medo de serem adotadas. As meninas, de 8 e 10 anos, desapareceram no domingo (18) e estavam na casa de uma irmã mais velha, na periferia da cidade.

Elas foram separadas da família há três anos, por maus-tratos. As crianças estão em processo de adoção por um casal de estrangeiros. De acordo com polícia, a irmã disse que as crianças apareceram de surpresa na casa dela depois de terem fugido no abrigo. As meninas foram levadas para casa de uma família que ajuda o abrigo.

Na manhã desta quarta-feira (21), elas conversaram com um psicólogo. O casal deve concluir o processo de adoção e vir ao Brasil para buscar as crianças dentro de 40 dias.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Justiça decide pela adoção de criança por casal homossexual

publicado no ACRE em 19/05/2008:

Decisão da magistrada Luana Cláudia é inédita no Estado.
Em decisão inédita no Estado, a juíza de Direito Luana Cláudia de Albuquerque Campos, titular da Vara Cível da Comarca de Senador Guiomard, com competência prorrogada ao Juizado da Infância e da Juventude da Comarca de Rio Branco, deferiu na última quarta-feira, 14, sentença favorável a casal homossexual envolvendo adoção de criança.
Como a legislação brasileira não reconhece a formação de uma sociedade por um casal de pessoas do mesmo sexo e filhos, os casais homoafetivos muitas vezes deixam de procurar a adoção ou escolhem entrar com a ação em nome de apenas um dos parceiros, pois temem perder a situação de fato pela situação de direito.
No caso em questão, a criança, de um ano de idade, já havia sido adotada por um dos membros do casal, que vive uma relação homoafetiva estável há cerca de oito anos. Em janeiro deste ano, o outro membro ingressou no Juizado da Infância e da Juventude com pedido de extensão dessa adoção.
Após analisar o processo, e tendo o casal cumprido todos os procedimentos legais necessários, o pedido foi chancelado pela Justiça. Considerando que uma das exigências da lei brasileira da adoção é que a criança seja inserida no convívio com pessoas adultas, que lhe forneçam estabilidade financeira e social e possuam uma relação estável, a juíza Luana Campos decidiu estender ao outro parceiro a adoção da criança.
Depois do prazo para recurso, na nova certidão de nascimento da criança, no quesito filiação, constarão os nomes do casal, sem a especificação “mãe” e “pai”, e os dos avós de cada lado.
Esta é a primeira decisão favorável a casais homossexuais envolvendo a adoção de crianças no Acre e uma das primeiras decisões semelhantes nas cortes de todo o país.
Celeridade - A ação tramitou em apenas três meses. Atualmente os processos de adoção na Justiça acreana tramitam de maneira célere, durando no máximo seis meses. Antes, um processo da mesma natureza durava até um ano.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Crianças adotadas podem ser mais problemáticas

matéria publicada no site HYPERLINK em 16 de maio de 2008

Um lembrete para Angelina Jolie e Brad Pitt: a próxima década poderá ser difícil. Como os pais adotivos mais famosos do mundo, os atores podem ter ficado alarmados quando souberam dos resultados de um novo estudo (em matéria publicada na revista TIME) que afirma que filhos adotivos possuem quase o dobro da possibilidade de, na adolescência, desenvolver problemas comportamentais ou emocionais. O estudo também abre a questão sobre o que estaria por trás desse risco acentuado: Os pais adotivos ou a genética?


Pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos EUA, descobriram que 14% das crianças nascidas e adotadas naquele país possuem problemas comportamentais ou entraram em contato com profissionais da área da saúde mental durante a adolescência.
O relatório divulgado nesta segunda-feira afirma que “Apesar da
popularidade da adoção, há uma preocupação persistente de que crianças adotadas possam ter riscos elevados de problemas da saúde mental ou de ajustamento.
Pesquisas sobre adoção tem feito afirmações similares por muitos anos. O que este estudo desafia são as razões por trás deste fenômeno.
Foram estudadas mais de mil crianças, adotadas ou não, neste estudo liderado por Margaret Keyes. A psicóloga e seus colegas descobriram que a disparidade entre adotados e as demais crianças pode ter origem em fatores inatos como cuidados perinatais ou os genes dos pais de nascença.
Outra descoberta surpreendente feita por este estudo foi constatar o fato de que, as crianças adotadas de dentro dos próprios EUA, têm mais chance de distúrbios comportamentais do que aquelas adotadas de outros países. Estas crianças têm muito mais probabilidade de internalizar seus problemas e sofrem mais comumente de depressão ou de distúrbios de ansiedade causados por separação. Estas descobertas vão contra a noção generalizada de que crianças que são adotadas de países estrangeiros tenham mais dificuldades em se adaptar às suas novas famílias.
Apesar disso a pesquisadora afirma que não há nada nestes resultados que deva desencorajar a adoção. “Todos os adolescentes lutam para encontrar sua identidade”, disse Margaret. “Faz sentido que as crianças adotadas tenham que lutar mais do que as outros.”
abaixo a matéria original da revista TIME

Adoptees More Likely to be Troubled

published at TIME MAGAZINE, By Kathleen Kingsbury Monday, May. 05, 2008
Memo to Angelina Jolie and Brad Pitt: the next decade may prove to be a difficult one. As the world's most famous adoptive parents, the actors may be alarmed to hear that a new study shows being adopted approximately doubles the odds of an adolescent being diagnosed with a behavior or emotional problem. Furthermore, the findings open up the question of what's behind that increased risk — adoptive parents or genetics?
Americans adopt about 120,000 children each year, and the vast majority grows up happy and healthy. Yet researchers at the University of Minnesota have found that a small minority of those kids — about 14 percent — are diagnosed with a behavioral disorder or have contact with a mental health professional as adolescents, or about twice the odds that non-adopted teens face. "Despite the popularity of adoption, there is persistent concern that adopted children may be at a heightened risk for mental health or adjustment problems," the study's authors write in a report released Monday.
That's in line with what previous adoption research has said for many years. What this new study challenges are the reasons behind this phenomenon. In the past, most researchers have dismissed the adoptees' disproportionate number of behavioral or mental health problems as a result of adoptive parents' demographic trends. That is, since people who adopt tend to be wealthier and more educated, they are likelier to access psychiatric care if their kids exhibit symptoms of, say, attention-deficit/hyperactivity disorder (ADHD). Also, through the adoption process, these parents are generally more familiar with mental health services than non-adoptive parents. Yet after studying more than a thousand children, both adopted and not, Margaret Keyes warns that assumption may be flawed. The Minnesota psychologist and her colleagues found that disparity could be due as often to innate factors such as perinatal care or his birth parents' genes. "The deleterious effects may quite possibly have come before the adoption ever took place," Keyes, the study's lead researcher, says.
Keyes's team was able to make this distinction largely due to its methodology. Whereas most adoption research relies on questionnaires filled in by parents, this study spoke directly to the adoptees themselves. Working with three large adoption agencies in Minnesota, researchers interviewed nearly 700 adopted children and 540 non-adopted children, all ages 11 to 21, as well as parents, mental health professionals and teachers. Participants also had to have a non-adopted sibling within the same age range to help compare behaviors. "We brought them all right into our laboratories and asked the same questions to both the child and the parents," Keyes says. "That way we were able to use our clinical training to diagnose symptoms ourselves."
Another surprising conclusion that the Minnesota study produced was the fact that children adopted from within the U.S. are more prone to behavioral disorders than those adopted from overseas. Some 40,000 children worldwide annually emigrate from more than 100 countries through adoption, a trend increasing rapidly in the U.S. since the 1970s. But these foreign adoptees are far more likely to internalize their problems, suffering more commonly from depression or separation anxiety disorders. Domestic adoptees, on the other hand, tend to act out. While consistent with adolescents studied in both North America and Western Europe, Keyes says, this finding "goes against preconceived notions that kids from foreign cultures would have a harder time adapting to new families."
Despite her study's findings, Keyes is quick to stress that there is nothing in them that should discourage parents from adopting. "Males are likelier to have behavior issues," she says. "But no one is overly concerned about having boys." Still, Keyes advises adoptive parents to be on the lookout for problem behaviors and to rely on the network of mental health providers they built up when applying to adopt their children in the first place. "All adolescents struggle with finding their identity," she says, before adding, "It makes sense adopted children would struggle more than most."

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Filhos na lei

publicado no CONSULTOR JURIDICO em 15 de maio
Brasileiro não conhece caminhos legais da adoção
por Maria Fernanda Erdelyi

Uma pesquisa da Associação de Magistrados Brasileiros revela que o brasileiro desconhece os caminhos da adoção no país. Apenas 35% de um universo de 1.562 entrevistados na pesquisa recorreriam às varas da Infância e Juventude para adotar uma criança. Pouco mais de 65% dos entrevistados recorreriam a hospitais, maternidades e abrigos.
Este é um dos quadros que a AMB pretende alterar com a segunda fase da campanha “Mude um Destino”, iniciada em março do ano passado. O juiz Francisco Oliveira Neto, coordenador da campanha, afirma que o foco da iniciativa é mostrar à população os caminhos legais da adoção e conscientizá-la sobre a importância e necessidade do processo ser travado no Poder Judiciário. Oliveira Neto também chama atenção para a regulamentação da situação de filhos de criação. “Sem regulamentação jurídica, a criança fica vulnerável”, afirma.
A pesquisa encomendada pela AMB à Opinião Consultoria traz dados que confirmam uma realidade vivida em todo país, da preferência na adoção por crianças de até seis meses de vida. Apenas 18% dos entrevistados disseram que adotariam crianças de qualquer idade contra 32% que procurariam recém-nascidos de até seis meses.
Um dado da pesquisa não fecha com o dia-a-dia vivido pelos juízes de varas de Infância e Juventude do país. Quase 80% dos entrevistados afirmaram não ter preferência de cor ou raça se fossem adotar. Apenas 7,6% declarou predileção por crianças brancas. De acordo com Oliveira Neto, isso não significa que a pesquisa esteja errada. Isso revela o quanto as pessoas ainda têm dificuldades em assumir preconceitos. Ele garante que a realidade da adoção no país é totalmente contrária. O juiz afirma que as pessoas normalmente buscam crianças brancas, saudáveis e com menos de um ano de idade.
Ele afirma inclusive que essas preferências, que não correspondem ao perfil da maioria das crianças disponíveis para adoção, são os grandes entraves e atrasos em até quatro anos de processos de adoção. “As pessoas alegam burocracia do processo de adoção. Mas não é burocracia. A maioria das pessoas prefere um perfil de criança que não está disponível para adoção”, disse o juiz no lançamento da segunda fase da campanha em evento em Brasília, na quarta-feira (14/5).
A primeira fase da campanha foi lançada em 2007, em 22 estados do país, e contou com mobilização intensa da magistratura. Nesta etapa, a AMB procurou alertar sobre a situação das 80 mil crianças e adolescentes que vivem em abrigos.
Revista Consultor Jurídico, 15 de maio de 2008

ENAPA

publicado no Recife

Encontro discute importância da adoção de crianças e adolescentes
da Redação do pe360graus.com

O Recife recebe, no próximo dia 29, o XIII Encontro Nacional de Apoio à Adoção (ENAPA), evento que reúne autoridades das áreas de Serviço Social, Educação, Direito e Psicologia, entre outras, em prol da discussão acerca da adoção. Este ano o evento enfocará a necessidade de se adotar crianças e adolescentes mais velhos.
Grupos considerados de adoção necessária (que engloba além dos mais velhos, crianças portadoras de necessidades especiais e soropositivas) são comumente excluídos na hora da adoção. O encontro visa a debater a necessidade de se dar oportunidade a essas crianças e adolescentes.
A necessidade das escolas em incluírem o tema adoção em seus projetos político-pedagógicos também é tema de discussão do evento. O ENAPA será realizado no Mar Hotel, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife. O encontro segue até o dia 31 deste mês.
Os interessados em participar devem mandar e-mail para
treide@elogica.com.br ou fazer inscrição no site do evento.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Apenas 15,5% dos brasileiros enfrentariam processo de adoção, aponta pesquisa

publicado no site A TARDE ON LINE em 14/05/2008 (09:44)
Brasília - Quase 58% dos brasileiros acreditam que a adoção é a melhor maneira de ajudar crianças e adolescentes que vivem em abrigos. Entretanto, apenas 15,5% enfrentariam um processo para adotar uma criança.
É o que aponta a pesquisa Percepção da População Brasileira sobre a Adoção, divulgada nesta quarta-feira (14) pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).Das 1.562 pessoas entrevistadas, a maioria (42,3%) optaria por ajudar crianças e adolescentes em abrigos por meio de auxílio financeiro. Já 34,8% não estariam dispostos a ajudar.
A pesquisa faz parte da segunda etapa da campanha Mude um Destino, promovida pela AMB desde março de 2007, com o objetivo de esclarecer a população sobre os caminhos legais para a adoção.

Só 15,5% dos brasileiros enfrentariam processo de adoção, revela pesquisa

publicado no site G1 em 14/05/08 - 14h55 - Atualizado em 14/05/08 - 14h55

Maioria não tem conhecimento dos caminhos corretos para adotar uma criança.Dados foram divulgados nesta quarta-feira pela Associação dos Magistrados Brasileiros.
Do G1, em São Paulo
Quase 58% dos brasileiros acreditam que a adoção é a melhor maneira de ajudar crianças e adolescentes que vivem em abrigos. Entretanto, apenas 15,5% enfrentariam o processo para adotar uma criança, segundo a pesquisa Percepção da População Brasileira sobre a Adoção, divulgada nesta quarta-feira (14) pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). Das 1.562 pessoas entrevistadas, a maioria (42,3%) optaria por ajudar crianças e adolescentes em abrigos por meio de auxílio financeiro. Já 34,8% não estariam dispostos a ajudar. A pesquisa faz parte da segunda etapa da campanha Mude um Destino, promovida pela AMB desde março de 2007, com o objetivo de esclarecer a população sobre os caminhos legais para a adoção, segundo a Agência Brasil.

Caminho correto
O levantamento mostra ainda que a maioria dos brasileiros não tem conhecimento dos caminhos corretos para a adoção. Mais de 37% procurariam uma criança em maternidades e em hospitais e 28% pesquisariam em abrigos. Apenas 35% das pessoas recorreriam ao local adequado – as Varas da Infância e da Juventude em todo o país.

“O abrigo não é vitrine de criança. A maioria em abrigo não está disponível para adoção e a pessoa que procura uma criança em um abrigo corre o risco de iniciar um contato com uma criança que não está disponível e que ainda mantém contato com sua família”, disse o coordenador da campanha, Francisco Oliveira Neto.

Documentos e entrevistas
O primeiro passo, segundo ele, é comparecer a uma Vara da Infância e da Juventude levando documentos como certidão de nascimento, comprovante de residência e de renda e certidão de casamento (caso a pessoa seja casada). Segundo ele, são "documentos para aferir uma certa estabilidade" do interessado em adotar uma criança ou adolescente.Em seguida, o candidato passa por entrevistas com assistentes sociais e psicólogos da própria vara. Ele destaca que a criança ou adolescente a ser adotado pode chegar ao juizado de duas maneiras. Em alguns casos, a própria mãe entrega o filho, por não ter intenção de ficar com ele. Em outras situações, é o juiz quem decide pelo rompimento definitivo dos vínculos entre pais e filhos, por meio de ações de destituição do poder familiar. “Cada juiz tem uma lista, portanto, de pessoas que querem adotar e estão habilitadas e de crianças e adolescentes disponíveis para adoção. O juiz faz o cruzamento dessas listas e promove o encontro”, completa Neto. No primeiro contato, a criança não sabe da pretensão de adoção por parte do casal. Caso a aproximação dê certo, a decisão é comunicada ao juiz responsável pelo caso.
Processo judicial
“Aí, inicia-se o processo judicial, que pode ser apresentado pelos próprios requerentes [os futuros pais adotivos]. Não precisa de advogado e não tem custos. O juiz recebe o pedido e, como se trata de um casal habilitado e de uma criança que já está disponível para adoção, imediatamente, concede a guarda provisória. A criança já fica com esse casal e, em dois ou três meses, esse processo está encerrado”, diz o coordenador. Segundo Neto, o procedimento é realizado de acordo com o que é estabelecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, mas as orientações nem sempre são seguidas. "Existem varas que não são só da infância e da juventude e o juiz também é [da área] criminal ou julga outras questões. Existem situações em que a adoção se dá de uma forma completamente errada, em que a aproximação se dá de forma equivocada, sem o conhecimento do Judiciário. Aí, sim, o processo de adoção demora", explica.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Vocação pela ‘adoção’ destaca Dona Jacyra

publicado no site TRIBUNA DO INTERIOR em 12 de maio

“Mãe é quem cria”. Esse ditado popular se aplica perfeitamente a auxiliar de enfermagem aposentada, Jacyra Bueno Machado, 64 anos, que há mais de 30 anos se dedica a cuidar de crianças carentes e doentes.
Atualmente com 16 crianças em sua casa, Dona Jacyra como é conhecida, se desdobra para alimentar, dar remédio, banho, além de levar os pequeninos no hospital e na escola. Ela conta com a ajuda de outras três pessoas da família que ajudam de forma voluntária a manter a casa em ordem.
Dona Jacyra não sabe quantas crianças ajudou a cuidar ao longo dos últimos anos e prefere não anotar nada, mas faz questão de dizer que se sente mãe de todos. “Tenho filhos já adultos e espalhados por todo o Brasil”. Dona Jacyra comenta que a casa vive sempre cheia de gente e isso a faz feliz. “Não tenho tempo nem de ficar doente. Não gosto de ficar sozinha e com essa criançada vivo sempre ocupada até mesmo a noite dando os remédios”, observa.
Segundo ela, todas as crianças que passam pela casa a chamam de mãe. “Nunca pedi para nenhum deles me chamar de mãe, mas por iniciativa deles todos me chamam assim”. Hoje, ‘Dia das Mães’, a casa da Dona Jacyra ficará cheia. A maioria dos familiares das crianças que atualmente estão com ela irá passar o dia com os filhos. “Será um dia muito especial, apesar de achar que todo o dia é o ‘Dia das Mães’. Para mim será um dia especial, assim como a maioria dos domingos. Geralmente neste dia as famílias que moram fora de Campo Mourão aproveitam para passar com seus filhos”.
Dona Jacyra lembra que começou a cuidar das crianças ainda quando morava em Roncador. “Na época não tinha creche e cuidei dos filhos de uma irmã. Antigamente as famílias se ajudavam. Não é igual agora, onde os filhos se criam longe dos pais e um nem sabe o que o outra mais gosta”. Já em Campo Mourão, a aposentada fez um curso de auxiliar de enfermagem. “Naquela época era muito difícil e as pessoas que moravam em municípios da região traziam seus filhos para o hospital em Campo Mourão e depois de receberem altas não tinham onde ficar. Com isso eu levava as crianças para casa onde as medicava, fazia a reconsulta e depois eles retornavam para suas famílias. Com o tempo, a amizade foi crescendo e as mães adquirindo confiança em deixar seus filhos na minha casa. As coisas foram acontecendo automaticamente”. Dona Jacyra tem cinco filhos adotivos. “São todos de coração”, frisa.


Crianças atendidas são carentes e doentes

As crianças para serem atendidas no Lar da Dona Jacyra têm que ser de famílias carentes e com problemas de saúde. Ela recorda que antigamente os próprios pais levavam seus filhos para serem cuidados e que agora são encaminhados para a casa dela pelo Conselho Tutelar. “Isso geralmente ocorre quando os pais não têm condições de cuidar de uma criança doente”.
Ela observa que quando uma mãe abandona um filho, muitas vezes são criticadas. “As mães não são desnaturadas. Hoje a vida está muito difícil e quando perdem o emprego ficam sem condições de comprar remédios e comida para seus filhos”, opina. As crianças ficam no lar durante o tempo que for necessário e recebem todos os cuidados médicos, além da alimentação e educação. “Meu trabalho é assim: recupero as crianças e devolvo para as famílias. Eu não tenho o objetivo tirar o filho de ninguém, mas sim de dar condições deles viveram bem e de ter um futuro. São todos meus filhos e luto por todos eles. Quero que eles façam a diferença e que sejam pessoas de bem”.
O Lar Dona Jacyra é mantido pelas aposentadorias dela e de uma irmã, além de doações. “Assim como em qualquer outra família não é fácil manter a casa. Porém, nunca passamos necessidade. Quando precisamos de alguma coisa mais urgente recorremos as pessoas que estão sempre dispostas a ajudar”, pondera.


Família ajuda no atendimento das crianças
Além da Dona Jacyra, as crianças são cuidadas por outras três pessoas da família. Todas são voluntárias e acabam doando parte da renda para ajudar nas despesas da casa. É o que acontece com a professora aposentada, Iracema Machado de Oliveira, 68 anos. Ela é irmã da Dona Jacyra e está morando no lar após seu marido ter morrido. “Trabalhar aqui ajuda a amenizar a dor de ter perdido o meu companheiro. Cuidar das crianças me traz alegria e assim não fico sozinha. Elas têm muitas necessidades e precisam de muito carinho e cuidados”.
Iracema é mãe de sete filhos, sendo três biológicos e quatro adotivos, e conta que hoje passará o ‘Dia das Mães’ com as crianças atendidas no lar. “Com certeza vai ser um dia muito bom. Triste porque será o primeiro que passarei longe do meu ex-marido e dos meus filhos que não moram em Campo Mourão, mas por outro lado terei a companhia destas crianças que são mais que filhos para mim”, observa Iracema.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Criança é adotada por estrangeiros

publicado no Jornal da Cidade de Bauru em 06/05/2008

Menino de Bauru, de 7 anos, foi adotado por casal de espanhóis; na última década, é o primeiro caso do tipo na cidade, matéria de Luciana La Fortezza
Num caso raro, uma criança de Bauru foi adotada por um casal de estrangeiros. Trata-se da única adoção internacional registrada na última década na comarca local. No segundo semestre do ano passado, a criança, um menino negro de 7 anos, atravessou o Atlântico para encontrar, finalmente, um lar na Espanha.
Antes, no entanto, foram esgotadas todas as possibilidades de adoção no Brasil, segundo informações obtidas pela reportagem no Fórum de Bauru.Garotos com o perfil dele não figuram na preferência dos casais locais. A maioria espera acalentar um recém-nascido de pele clara.
Na guerra entre os sexos, as meninas ainda levam vantagem na hora da adoção. Por acreditar que elas sejam mais companheiras e carinhosas, são mais solicitadas. Com outra mentalidade, o casal de espanhóis obteve a guarda da criança de Bauru por meio de um trâmite encaminhado pelo Fórum João Mendes, em São Paulo. Por intermédio da comunicação entre as comarcas paulistas (área jurisdicional que abrange um ou mais municípios) chegaram ao esperado filho.
Diferentemente de outros Estados brasileiros, para se inscrever num fórum no Estado de São Paulo, os candidatos devem ser da cidade ou região. A oferta da criança só é feita além desse universo quando todos os candidatos locais não demonstram interesse na adoção. Mas assim como os espanhóis, algumas famílias de Bauru têm, aos poucos, demonstrado interesse na adoção inter-racial. Algumas também já aceitam crianças mais velhas. Atualmente, em Bauru, oito casais se propõem a acolher meninos e meninas com mais de 5 anos.
Porém, quando se aproximam dos 12 ou 13 anos, até mesmo as adoções internacionais tornam-se mais difíceis. Raros também são os interessados em bebês - meninos ou meninas - com problemas de saúde. Atualmente, eles são maioria entre os disponíveis para a adoção. São crianças com HIV, problemas mentais ou motores, cujas chances de permanecerem nos abrigos são grandes.
O Cadastro Nacional de Adoção é a nova esperança de final feliz para elas. Ele integrará as listas de crianças que podem ser adotadas e de candidatos a adotá-las existentes nas Varas da Infância e da Juventude de todo o País. Com o sistema, a expectativa é de que seja reduzida a burocracia do processo. Deste modo, uma pessoa considerada apta à adoção em sua comarca ficará habilitada a adotar em qualquer outro lugar do País.
Talvez assim seja mais fácil adotar inclusive um recém-nascido. No ano passado, cinco deles foram abandonados na Maternidade Santa Izabel e designados a famílias da comarca local, segundo informações obtidas no Fórum de Bauru. O número poderia ser maior, não fosse a pressão social sofrida pelas mães. Normalmente fragilizadas, elas ficam com a criança, mesmo sabendo da dificuldade em criá-las. Muitas vezes, delegam a responsabilidade para madrinhas ou parentes.
Só bem mais tarde é que as colocam para adoção.